VUCA, BANI e “agora” TUNA: como a comunicação deve se adaptar a um mundo em constante mudança?

Flavia Mangini é diretora executiva da Imagem Corporativa e especialista em Comunicação Interna e Corporativa 25 de março de 2025
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Nos últimos anos, diversas siglas surgiram para definir o contexto global e seus desafios. VUCA, BANI e, mais recentemente, TUNA são três dessas siglas que nos ajudam a entender as transformações do ambiente de negócios, da sociedade e da comunicação. Mas o que elas significam e como impactam a forma como nos comunicamos?

O mundo VUCA

O conceito VUCA (sigla em inglês) surgiu na década de 90 no contexto militar para descrever um ambiente volátil, incerto, complexo e ambíguo. Com o passar do tempo, foi adotado pelo mundo corporativo para explicar as rápidas transformações econômicas, tecnológicas e sociais.

Empresas que prosperaram nesse cenário foram aquelas que investiram em planejamento estratégico flexível, liderança adaptável e capacidade analítica para tomar decisões mais rápidas e eficazes.

A transição para o mundo BANI

Com a crise financeira de 2008, a pandemia da COVID-19 e o avanço da digitalização, o VUCA pareceu insuficiente para a nova realidade. Surgiu então o conceito BANI (sigla em inglês) para caracterizar um mundo frágil, ansioso, não linear e incompreensível.

No mundo BANI, a instabilidade se intensificou. A fragilidade das estruturas tornou-se evidente, a ansiedade coletiva aumentou, os eventos passaram a ocorrer de forma não linear, e o volume de informações se tornou avassalador.

Diante disso, a comunicação precisou priorizar clareza, empatia e resiliência, criando mensagens que reduzissem a ansiedade e trouxessem previsibilidade.

Enfim, o mundo TUNA

Agora, um novo termo vem ganhando força: o mundo TUNA (sigla em inglês), que descreve um ambiente turbulento, incerto, novo e ambíguo. Se antes falávamos em fragilidade e ansiedade, agora o foco está na constante inovação e na necessidade de adaptação rápida. Veja:

Turbulência: mudanças ocorrem de forma caótica e imprevisível.
Incerteza: o futuro é cada vez mais difícil de prever.
Novidade: tecnologias, comportamentos e tendências surgem e desaparecem rapidamente.
Ambiguidade: a interpretação dos fatos depende de múltiplas perspectivas, tornando a comunicação ainda mais desafiadora.

E quais são os desafios da comunicação no mundo TUNA?

Neste novo cenário, os desafios da comunicação são ainda maiores. Como as marcas, empresas e profissionais podem se adaptar?

1. Atenção fragmentada

O excesso de informações e estímulos reduziu o tempo de atenção do público. Para capturar o interesse das pessoas, é fundamental criar conteúdos relevantes, dinâmicos e envolventes.

O que fazer, então? Investir em formatos interativos, narrativas envolventes e personalização para manter a audiência conectada.

2. Conexão genuína

O público valoriza cada vez mais a autenticidade e a transparência. No mundo TUNA, onde as mudanças são constantes, construir uma relação de confiança é essencial.

O que fazer, então? Empresas e líderes devem ser transparentes, coerentes e construir mensagens que reflitam seus valores de forma verdadeira.

3. Adaptabilidade extrema

No mundo TUNA, o que é tendência hoje pode se tornar ultrapassado amanhã. Estratégias de comunicação precisam ser ágeis e flexíveis.

O que fazer, então? Criar metodologias ágeis de comunicação, testar hipóteses rapidamente e ajustar mensagens conforme o feedback do público.

4. Confiança e transparência

A desinformação e a polarização fazem com que a confiança nas instituições e marcas seja cada vez mais questionada.

O que fazer, então? Adotar uma comunicação clara, baseada em fatos e com um tom acessível e humano.

Por isso, a comunicação precisa evoluir para acompanhar esse novo cenário. Algumas estratégias que podem ajudar são:

  • Inteligência de dados: monitoramento contínuo do comportamento do público para ajustar estratégias em tempo real.
  • Narrativas adaptáveis: criar mensagens que possam ser ajustadas conforme o contexto e a necessidade do público.
  • Proximidade com o público: construir relacionamentos sólidos e canais diretos de comunicação.
  • Liderança comunicativa: empresas e gestores devem adotar uma postura proativa, clara e transparente.

 

Do VUCA ao TUNA, uma coisa é certa: a necessidade de mudança está sempre lá. No mundo da comunicação, isso significa que estratégias rígidas e tradicionais não funcionam mais.

Quais desses desafios você já percebe no seu dia a dia? Como sua empresa tem lidado com a comunicação nesse cenário? Vamos conversar?

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